22 de maio de 2011

Entrevista com o cineasta João Inácio

Para buscar informações sobre o assunto, procurei livros e realizei entrevistas. Segue abaixo uma delas.
Roteirista vencedor do Concurso de Apoio à Produção de Obras Cinematográficas do Ministerio da Cultura (MINC/2006). Há sete anos é produtor do projeto Cinema BR em Movimento no Estado do Pará. Assistente de direção do Filme “Araguaia, a conspiração do silêncio”, longa metragem sobre a guerrilha do Araguaia. Foi produtor executivo do curta “Açaí com Jabá”, e produtor dos curtas “Quero ser Anjo”, “Chama Verequete” (vencedor do kikito de melhor música 2002) e “Shot da Bota”, os curtas participaram em diversas mostra e festivais, produtor e diretor de TV e rádio.
- Como surgem os curtas-metragens na Amazônia e no Brasil?
O cinema nasce com os curtas, os primeiros filmes foram curtas-metragens. Mais tarde essa linguagem foi se desenvolvendo para os longas.
O curta é o primeiro passo de qualquer pessoa que quer fazer cinema. É muito caro fazer um longa-metragem, então se cria histórias curtas, que você vai desenvolvendo. De todas as cidades da Amazônia, Belém tem uma característica mais forte nessa produção.
- Porque fazer um curta é mais viável do que um longa-metragem?
Hoje temos mais facilidades, mas os curtas também estão muito ligados a oficinas, cineastas estreantes, experimentais. São formatos diferenciados, mais viáveis para quem está começando. Tem que ter muito dinheiro pra fazer um longa-metragem, tanto que desde o Líbero Luxardo ninguém fez um longa.
A gente não tem um centro com grandes produtoras, Belém não é uma das grandes capitais. Então não somos o foco, mas existe a questão de ter a Amazônia, de estar em uma região pouco vista. São elementos que favorecem a questão de conseguir alguns recursos. As pessoas querem ver como é que a gente se enxerga e como queremos ser vistos.
            Fora do Estado é mais fácil você ver as pessoas querendo ver filmes daqui, isso é uma forma de incentivo pra que tenha uma produção local. Há essa demanda de interesse, o audiovisual tem crescido muito, principalmente pelo avanço das câmeras.
- Quais são os editais e as leis de incentivo à produção cinematográfica na Amazônia?
            As leis de incentivo existem, mas é um pouco difícil de captar. Inclusive em termos avaliação, porque não há pessoas capacitadas para avaliar esses projetos. O que tem acontecido são os editas federais, que vem com mais força e com certa frequência. Então esses editais têm facilitado, sim, a questão da produção dos filmes. No governo do Estado e na prefeitura não temos editais. Já foram feitos alguns, mas não deram continuidade. O Edmilson já fez edital, a Ana Júlia já fez, mas nenhum continuou, nem depois do mandato ou durante.
- O regionalismo é um tema comum nos curtas?
            Você não precisa ser regional só falando de tacacá, açaí essas coisas. Já é regional a partir do momento que você filma aqui. Se eu quiser fazer um filme ambientado na Inglaterra, eu posso filmar aqui, mas vai ser sobre a minha visão sobre a Inglaterra. Então eu vou ser regional de qualquer forma. Há um interesse de patrocínio em contar histórias regionais, então há certa migração para essa linha.
- Quais os curtas que mais atingiram o público?
            Desses todos, assim, sem dúvida o Açaí com Jabá. É o filme que teve maior público, até porque teve um facilitador. Ele ganhou prêmio de público de melhor filme paraense do Banco da Amazônia. É um filme que já tem dez anos, é uma comédia, gênero que a maior parte do público se identifica. Fala sobre açaí que é uma coisa muito comum e teve certa distribuição em DVD, está na internet. Isso facilitou com que o filme fosse mais visto, também teve o “Chama Verequete”, mas cada um tem um perfil. O “Chama Verequete” é o maior documentário sobre carimbó, foram filmes muito vistos por conta da distribuição pela Fox do DVD, com toda a certeza.
- Qual a resposta da crítica e dos jornais?
            Há uma crítica dos jovens críticos de cinema sobre o curta “Açaí com Jabá”. Eles destrincharam o filme todo, é um texto muito legal e favorável. Foi publicado no Diário do Pará, o jornal entra na parceria até porque, acho que é mais interessante para a mídia abrir espaço para uma crítica construtiva. E essas matérias acompanham o desenvolvimento do filme e acaba mostrando a dificuldade que se tem em produzir cinema.
- Os festivais incentivam a produção de cinema na Amazônia?
            Um filme que é premiado em um festival, traz credibilidade e uma notoriedade nacional. Os festivais são espaços de exibição, como se fosse uma vitrine, realmente algo muito positivo. E com certeza, atrai expectativas e interesse em produzir cinema na Amazônia.

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